Entre 19 de fevereiro e 24 de março, a mostra O cinema anticolonial de Sarah Maldoror fez circular a maior retrospectiva da realizadora afro-francesa no Brasil, pelas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. As salas de cinema do Centro Cultural Banco do Brasil das três grandes capitais abrigaram projeções, ricos debates, cursos e performances, como a leitura, por Safira Moreira, do roteiro de um filme de Sarah jamais filmado: As garotinhas e a morte. Nascida em 1929, filha de pai guadalupense e mãe francesa, companheira do intelectual e militante angolano Mário Pinto de Andrade, Sarah Maldoror ocupa um lugar fundamental na história do cinema anticolonial e da diáspora africana. O que sua retrospectiva vem oferecer ao Brasil, neste início de 2026?
Onde o sabor de aventura na viagem até às cidades dos festivais? Onde o cheiro das salas escuras, pescoços alongados para ver melhor o grande écran? Onde as festinhas com espectadores e realizadores enfim juntos no mesmo plano?
Não é porque você se tornou artista que isso te eximirá de ser um completo idiota. Ser artista não te salva de nada: nem das agruras da vida, nem da timidez, nem da falta de consistência política, nem da burrice, nem da canalhice.
Tem gente que recebe Deus quando filma, tem gente que filma procurando Deus. Em trocadilho com o que diz o cancioneiro popular, tomo o dito por empréstimo para me ater a uma premissa teológica que creio ser a mais adequada para acomodar o trabalho cinematográfico de Alexandre Guena.